Cá Entre Nós

Conflitos... O que eu faço com isso?


Já ouviu que brigar é feio? Que pessoas que se amam devem viver sempre em harmonia? Aprendemos que em nome do amor e dos relacionamentos devemos engolir algumas coisas, fingir que não percebemos outras e passar a borracha do esquecimento em outras mais...


Mas será que realmente podemos conviver sem conflitos? Ora, se os conflitos acontecem justamente onde há diferença, onde o que um é e acredita esbarra nos limites do outro, como pessoas diferentes, com suas histórias, gostos e crenças peculiares podem conviver sem jamais entrar em atrito? E se todo mundo concordasse com tudo o tempo todo, que graça teria? Se não há diferenças, nada se acrescenta e nem se elimina... Não há crescimento! É na diferença que crescemos! E onde há diferenciação, há conflito... Uma mesma ferramenta pode tanto gerar crescimento quanto prejuízos irrecuperáveis. Então, vamos aprender a usá-la! Vamos aprender a brigar criativamente...


Primeiro precisamos olhar para dentro, pois os conflitos improdutivos acontecem quando não nos entendemos e acabamos acusando o outro de algo que é nosso. Digamos que você se cobre de produzir o tempo todo; e no seu dia de folga te perguntam: “Não vai trabalhar?”, você pode pensar, indignado: “Não posso ter um dia de folga!? As pessoas acham que eu tenho que produzir o tempo todo!”. A cobrança é do outro? Não! Interpretamos o mundo a partir de nós. Assim, se nos propusermos a identificar o que há em nós daquilo que acusamos o outro, podemos ter conflitos muito mais construtivos.


Para isto, é fundamental saber ouvir. E geralmente não queremos ouvir o que o outro tem a dizer sobre nós... Queremos é provar que é um absurdo ele pensar isso, que deve ser louco... Ensaiamos mentalmente formas de rebater e “sair ganhando”. Disponibilizar-se a ouvir e aceitar a acusação, percebendo o que disso faz sentido ou não, traz resultados surpreendentes. Experimente!


Outro aspecto importantíssimo é o modo como falamos. Quando aceitamos a colocação do outro é mais fácil de sermos ouvidos. Isso não significa necessariamente concordar com o outro, mas olhar pelo ponto de vista dele com tanto respeito quanto temos pelo nosso. Isto derruba muros invisíveis...

Para ultrapassarmos aquele ponto em que empacamos, o humor também é bem-vindo. Claro, sem exageros! Até porque ele pode servir como fuga e é essencial cada um expressar abertamente seus sentimentos. Senão esses lixos emocionais contaminam os relacionamentos e podem até gerar sintomas somáticos, como enxaquecas, dor de estômago, feridinhas, alergias, colite etc.


E então, qual lado dos conflitos você escolhe? Dos prejuízos ou do crescimento? Invista em você! Invista na saúde dos seus relacionamentos! Por meio deles temos nas mãos um laboratório para ampliarmos nosso auto-conhecimento e em nós mesmos temos um grande instrumento de reconfiguração das nossas relações.


Vamos “brigar criativamente”!

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