Cá Entre Nós
Família... E eu com isso?

Você já parou para pensar que o que você é hoje é atravessado e constituído por pedacinhos de muitas outras histórias que foram se repetindo, multiplicando-se, agregando-se a outras e se atualizando através de várias e várias gerações? Sem percebermos acabamos assumindo determinados papéis, reproduzindo comportamentos e correspondendo a certas expectativas já direcionadas para nós antes de nascermos. É só pensarmos na escolha do nosso nome… Como foi? Qual é o seu significado? Foi uma homenagem a alguém? O que isso diz sobre você e sobre sua família?

Ao nascermos nas nossas famílias, ocupamos determinado lugar e recebemos expectativas que nos levam a dar cumprimento a certos papéis. Você já percebeu que há padrões que se repetem em todas as gerações? Há famílias, por exemplo, em que sempre uma filha não se casa e dedica sua vida a cuidar dos pais; há outras em que repetidamente um filho fica dependente dos pais; em outras ainda há repetição de um padrão de dependência química, de “ovelhas negras”, de intelectuais... As razões são variadas, as desculpas mudam, mas o inevitável é que o padrão se repete. É importantíssimo pararmos para percebermos quais os padrões repetitivos na nossa família e qual o papel que abraçamos e reconhecemos como nosso. Pensamos que estamos neutros, fazendo escolhas e direcionando a nossa vida sem interferências… Doce ilusão! Nosso legado familiar faz parte de nós, dos nossos conceitos, escolhas e da forma como percebemos o mundo e reagimos a ele. A família é importantíssima! Ela informa à criança quanto às suas expectativas culturais, étnicas, religiosas, sobre como agir, pensar e se comunicar, sobre quais afetos são bem-vindos ali, como se deve senti-los e expressá-los (ou não)...

É como se o contexto familiar “pedisse” para termos um tipo de comportamento. E a criança vai ocupando o lugar que está vago! Por exemplo, uma criança que só dorme na cama dos pais, entre os dois... Ela só ocupou esse lugar porque estava vazio! É importante o casal se questionar sobre que vazio é esse... Será que um dos dois está fugindo de sexo? Talvez haja um hiato no diálogo? Não sei... O importante é se questionar: “Para que precisamos que nosso filho durma entre nós?” 

Então, estamos passivos neste mundo e nossa família determina irremediavelmente aquilo que somos? De jeito nenhum! Temos poder de escolha! O importante é termos consciência das expectativas que herdamos da nossa família, dos papéis que assumimos nela e de como tudo isso aparece hoje na nossa vida. Assim, podemos escolher com clareza o que disso tudo queremos deixar para trás, o que queremos levar e como queremos levar. E você, quais as expectativas que herdou da sua família? O que elas teêm a ver com o sentido que você dá à sua vida nesse momento? Boa reflexão! Até a próxima...

Gabriela Maldonado