Cá Entre Nós
Ei! Acorda!

“Eu não devia ter falado isso... Ai, se eu tivesse respondido a altura quando ele me falou aquilo... Também, ele vai ver, a próxima vez que a gente se encontrar...”

Ei! Acorda! Você já se surpreendeu assim? Completamente mergulhado nos pensamentos e totalmente desconectado do que está acontecendo à sua volta?

É impressionante o tempo que gastamos em fantasias... Ficamos divididos entre idealizações do passado e possibilidades futuras e simplesmente fugimos da conexão com a nossa própria vida. E sabe o que acontece?

Paralisamos! Estagnamos e deixamos de desfrutar da nossa vida.

Quem nunca ouviu: “Ah! Quando eu tinha meu marido...” ou “quando eu tinha dinheiro podia fazer isso e aquilo...”? Nós nos aprisionamos nos tempos de juventude, numa traição (como se todo o caos da vida fosse resultado exclusivo de uma decepção), num namoro que terminou...

Também podemos nos aprisionar lá no futuro. Seja adiando nossas realizações, seja nos travando com o famoso medo...

O medo de uma traição pode não permitir que nos entreguemos totalmente a um relacionamento, o medo de ficar só pode nos impedir de experimentar estarmos conosco mesmos, o medo de um desemprego pode nos fazer abrir mão de um sonho e viver na frustração... E acabamos sofrendo muito mais pela fantasia do que pela realidade!

O primeiro passo em direção à transformação é nos concentrarmos no presente. Há um pensamento de Sartre (1905-1980) que eu gosto muito e diz assim: “O essencial não é aquilo que se fez do homem, mas aquilo que ele fez daquilo que fizeram dele.” O grande ponto é perceber que o que mais importa não é aquilo que meus pais, minha condição social, financeira, minha história fizeram de mim, mas sim o que eu faço com o que tudo isso permitiu chegar em minhas mãos nesse momento. Quando nos atemos no presente, podemos nos perceber melhor, entrar em contato com nossos recursos e potenciais.

Vamos trabalhar com o que temos nas mãos! Se você quer emagrecer, mas tem só uma ansiedade louca que faz você comer tudo o que vê pela frente, trabalhe com essa ansiedade – quando você senti-la, pare, perceba se você realmente está com fome, se concentre nessa ansiedade, no que ela “quer dizer” para você, como ela pode ser canalizada de outras maneiras, tente perceber do que é você tem fome na vida. É com o que temos que podemos começar. E isso serve para qualquer objetivo que tenhamos, seja comprar uma casa, escrever um livro, ser mais simpático... 

E você, ainda que escassos, quais os recursos que você tem hoje nas mãos? Quais são as suas possibilidades?


Dra. Gabriela Maldonado