Cá Entre Nós
Está pesado?

Venham a Mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e Eu lhes darei descanso. Tomem sobre vocês o Meu jugo e aprendam de Mim, pois Sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas – (Mateus 11:28 e 29).


Está cansado? Pois é, aqui Jesus convida quem está cansado para mais um trabalhinho... Aprender da sua mansidão e da sua humildade! Ele não está apenas falando de um alívio momentâneo, mas de um aprendizado para obtermos alívio contínuo... É um convite a uma mudança de postura diante da vida. Muitas vezes aprendemos que ser humilde é se rebaixar, se diminuir, negar suas próprias qualidades, dizer que, na verdade, a roupa linda que usamos foi comprada numa megapromoção ou que não estamos tão bonitos assim, mas “são os seus olhos”... Temos mania de nos desmerecer socialmente! Será que isso é humildade? E como isso pode diminuir o meu fardo, se ainda cria um conflito entre aquilo que eu percebo, sinto e penso e o que demonstro?


Ser humilde... A palavra humildade vem de húmus, que significa terra fértil. De onde nós, seres humanos, viemos? Do pó da terra! Viemos do pó e ao pó retornaremos... Isso me fez pensar na humildade como um retorno à condição humana. Reconhecer e assumir nossa humanidade para nós mesmos e para o mundo, aceitar que não somos perfeitos, que não “temos que” dar conta de tudo nem suprirmos todas as expectativas... nos liberta! Não acertamos o tempo todo, não damos sempre a resposta que nossos filhos precisavam, não temos necessariamente o retorno financeiro que sonhamos, não estamos sempre com os cabelos maravilhosos, não tiramos 10 em todas as provas, não cumprimos com todos os prazos, não estamos o tempo todo emocionalmente controlados... E isso não é o fim do mundo!


Muitas vezes nos frustramos e ficamos exaustos tentando corresponder às expectativas -nossas e dos outros. Agimos como se não houvesse outro jeito! Então, às custas da nossa saúde e da saúde dos nossos relacionamentos, assassinamos nossos lombos acumulando fardos e mais fardos...


Quantos fardos nós criamos! Você já parou para pensar em quantos desses fantasmas que nos perturbam são fruto da nossa imaginação? “O que vão pensar se eu desistir?”, “Se eu gaguejar vão achar que sou ridículo!”, “Meus pais nunca vão aceitar isso...”, “Se não for eu, minha família não funciona!”...Tudo isso pode ser simplesmente irreal! Quem é que não aceita seus erros ou se frustra quando você não dá conta? O outro ou você mesmo? Mas às vezes é tão difícil abrir mão dos nossos fardos...


A humildade nos permite ser mansos. Não precisamos nos defender, nos explicar ou nos desculparmos... É o bem-estar de permitir-se ser tão e simplesmente humano. Isso nos liberta de um fardo gigante! Ser humilde não nos acomoda nos nossos erros, mas nos dá mansidão para encará-los como algo possível, talvez reversível, provavelmente reciclável e definitivamente humano...


Dra. Gabriela Maldonado