Pais devem limitar consumo para não criar adultos "desequilibrados"


Saber diferenciar o '”eu quero'” do “eu preciso” - é esse um dos pontos cruciais para que o consumismo infantil não crie adultos financeiramente desequilibrados. A opinião é das especialistas Cássia D’ Aquino e Maria Tereza Maldonado, autoras do livro Educar para o Consumo

De fato, o consumo está cada vez mais presente na vida das crianças. Mesmo as de pouca idade, já conhecem marcas e sabem pedir aos seus pais exatamente o que querem. Um estudo realizado no Reino Unido há alguns anos mostrou que, na época, as crianças britânicas de 10 anos conheciam de 300 a 400 marcas famosas, mais de 20 vezes o número de espécies de aves de que sabiam o nome.

“Até pouco tempo atrás, a idade média em que uma criança pedia para que o pai comprasse algo era de dois anos e oito meses. Hoje já é dois anos e três meses e isso vai cair ainda mais, rapidamente. Os modelos de família que temos hoje priorizam o consumo. Nos finais de semana, os pais levam as crianças ao shopping para comprar, em vez de passear, brincar, passar o tempo com os filhos”, pontua Cássia D´Aquino. 

Conhecedoras do mercado, elas são capazes de influenciar os hábitos de consumo de sua família. De acordo com a pesquisa O Poder da Influência da Criança nas Decisões de Compra da Família, realizada pela Viacom em 11 países do mundo, entre eles o Brasil, 51% dos pais tomam a decisão de uma compra depois de ouvir a opinião dos filhos, enquanto 49% afirmam que decidem juntos com as crianças.

Mesmo quando o produto é para os pais, a opinião dos filhos é levada a sério. Na categoria automóvel, por exemplo, 60% dos pais dizem que foram influenciados pelos filhos. No entanto, mais do que ouvir a opinião das crianças, é importante que os pais aproveitem esses momentos para educar financeiramente. 

 

O Papel dos Pais

Deixar que as crianças participem das decisões de consumo não é errado, mas deixar que elas determinem uma compra, e tenham sempre tudo que querem, pode sim trazer problemas. 

“Os pais não estão discernindo entre os desejos e as necessidades de seus filhos e, com isso, estão gerando crianças e adolescentes extremamente consumistas. Isso leva a uma confusão entre ter e ser – a criança cresce achando que ter algo é mais importante do que ser, ela se define pelo que usa e perde a oportunidade de desenvolver a riqueza interna”, diz a psicoterapeuta Maria Tereza. As especialistas afirmam que cabe aos pais saber botar limites, para assim ajudar seus filhos na vida adulta. “O consumismo exacerbado leva a criança a não saber diferenciar o que deseja do que realmente precisa e a não conseguir estabelecer prioridades na vida. E isso cria uma sucessão de desejos que leva a um consumo desenfreado, mas não resulta em satisfação; nunca esse buraco é preenchido, pois a satisfação vem pelo desenvolvimento como pessoa e não pelo que se possui”, diz. 

Cássia completa: “A família tem de se dar conta que é possível e importante decidir que tipo de futuro quer para os filhos. É preciso ser responsável pelo futuro dessa criaturinha na medida das nossas possibilidades, pensar em como os filhos serão dali a 25 anos se forem criados daquela maneira. O capitalismo é cruel em quase todo o mundo, a publicidade é avassaladora, mas por que há famílias que conseguem fazer de uma maneira e outras não? Porque não seguem o modelo consumista: nenhuma influência externa é páreo ao exemplo que os pais dão aos filhos”, conclui a educadora.

 

Fonte: http//economia.uol.com.br