Comportamento

Uma Geração em Perigo

Nos faróis, ou nos colégios mais caros, a faixa etária infantil está à mercê das influências recebidas.

Quando penso na crise moral e ética que assola nosso país, penso quase que instantaneamente nas crianças e adolescentes que estão em formação nestes tempos difíceis. Sabemos que a diversidade do Brasil faz com que grupos destas faixas etárias vivam em realidades diferentes. Estamos em meio a uma verdadeira batalha e estas faixas estão constantemente em situação de risco. Não é difícil pensar em crianças e adolescentes em perigo, principalmente quando olhamos os dados estatísticos alarmantes ou simplesmente andamos por uma de nossas grandes cidades brasileiras. Milhões de crianças e adolescentes brasileiros estão diariamente nas ruas pedindo dinheiro, trabalhando, se drogando, se prostituindo e roubando, sem tempo ou chance para serem crianças e adolescentes. E nós, cristãos do Brasil, nos encontramos quase que anestesiados por essa realidade, que passa a ser parte do nosso cotidiano, a ponto de não ficarmos mais horrorizados ou indignados como deveríamos.

 

Será que nos esquecemos das palavras de Jesus em Mateus 25:45, “O que vocês deixaram de fazer a alguns destes mais pequeninos, também a mim deixaram de fazê-lo”? Muitas vezes tentamos nos justificar dizendo que o governo é corrupto e não faz a sua parte ou que o problema social no Brasil tem proporções gigantescas, iniciadas com a nossa colonização. Só que... Em Sua Palavra, a Bíblia, Jesus não nos pede para combater a corrupção ou resolver os problemas do país! Ele nos pede para dar de comer a quem tem fome, de beber a quem tem sede, vestir a quem não tem roupa, cuidar de quem está doente e visitar os que estão presos. E o quanto disso tudo, nós, como Igreja, temos feito?

 

Quero também chamar a atenção para um outro grupo de crianças e adolescentes em situação de risco. Um grupo que não está nos faróis ou abrigos das nossas cidades. São crianças e adolescentes que têm casa, escola, comida, roupas, assistência médica, mas têm também outras necessidades não supridas. Na verdade esse grupo está em situação de risco porque tem maior liberdade, livre acesso ao mundo e poder de decisão. Só que carecem de experiência, sabedoria e relacionamentos familiares para viver num mundo assim. São nossos filhos, sobrinhos, vizinhos.

 

As crianças e adolescentes são muito influenciáveis e muitas vezes temos a impressão de que a igreja brasileira ainda não descobriu isso! Todos os outros segmentos da nossa sociedade, da indústria, do entretenimento e até o submundo dos traficantes de drogas, já descobriram a vulnerabilidade dessas faixas etárias. Aliás, esses segmentos disputam ferozmente a atenção de nossas crianças e adolescentes, enquanto a Igreja, displicentemente, os coloca nos porões, em segundo plano ou até mesmo no final da lista de prioridades. Se você já parou para ver o conteúdo ao que eles têm acesso nas programações de TV, nos filmes, músicas, games, Internet, escolas, áreas de lazer dos condomínios, nas festinhas, enfim, no dia-a-dia deles, você deve ter se dado conta do perigo que estão correndo.

Alguns podem dizer que crianças e adolescentes são responsabilidade dos pais e não da igreja, e em parte estão corretos. A Bíblia é muito clara quanto à responsabilidade dos pais, mas ela também fala da influência, ensinamentos e exemplos dos mais velhos sobre os mais novos. E o que dizer então da importância que o próprio Jesus dava às crianças? Nossas crianças e adolescentes são bombardeados por todo tipo de informação errada sobre família, amor, sexo, caráter e valores. Os meios de comunicação usam de todo tipo de estratégia para alcançá-los, não medindo esforços para conquistá-los e nós, como igreja, insistimos em enxergá-los como um problema inevitável que se resolverá com o tempo. Pois o tempo é agora, o momento é este e o depois pode não existir.

Certamente não é fácil ser pais cristãos num mundo assim, mas não podemos abrir mão de nossos filhos. Ser um pai ou uma mãe cristãos é ter de remar contra a maré. Vamos levantar algumas atitudes que podem ajudar:

. Passar valores bíblicos para nossos filhos sempre que pudermos.

. Ajudar nossos filhos a ter responsabilidade e fazer escolhas certas.

. Ser um exemplo de honestidade e integridade para eles no dia-a-dia.

. Acompanhar atentamente a vida deles, de forma que se tornem nossos discípulos.

Olhar e cuidar destas duas realidades são dois desafios diferentes para a igreja cristã, mas nem por isso, mais ou menos importantes. Afinal, é uma geração inteira que está ameaçada, independentemente da camada social a que pertença.

Como mãe, líder de pré-adolescentes e participante do movimento Desperta Débora, quero convocá-los a orar para que Deus nos dê essa consciência da situação de extremo risco das crianças e adolescentes do Brasil. Oremos para que Deus levante pessoas com paixão por crianças e adolescentes carentes de abrigo, de alimento, de amor, de relacionamentos, de valores, de educação, de carinho, de modelos cristãos e da Palavra de Deus. E assim, certamente, teremos menos corrupção neste querido país!

 

Autora:Ana: Lucia Bedicks – É líder do ministério de pré-adolescentes da Igreja Batista do Morumbi, em São Paulo, e seminarista do Seminário Teológico Servo de Cristo. É casada com Fernando Bedicks e tem 3 filhos.