Do Púlpito

Qual deve ser a nossa atitude diante das perplexidades da vida?


Sabemos que Jesus veio ao mundo para estabelecer o Reino de Deus e que os súditos do Reino formam a Igreja. Assim sendo, as reações dos servos de Deus diante dos problemas da vida não podem ser iguais às reações do povo do mundo. Falamos isto, sem nenhuma presunção, mas, humildemente, dando glória a Deus pela esperança que o Evangelho nos concede. A maioria das pessoas fica assombrada diante das complexidades da vida, mas quem pertence ao Reino comporta-se de modo diferente. Você pergunta: Como é esse comportamento? Qual deve ser a atitude dos cristãos diante das perplexidades da vida? Focalizaremos aqui quatro questões cruciais.


Primeira, o modo de encarar os problemas da vida. Em Filipenses 4:6,7 lemos: Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas diante de Deus as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graça. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e as vossas mentes em Cristo Jesus. Este é o modo cristão de encarar os problemas. O apóstolo Paulo não diz que os problemas desaparecerão se os colocarmos diante de Deus. Diz, sim, que devemos fazer conhecidas as nossas petições pela oração e pela súplica, com ações de graça.  Como consequência a paz de Deus... guardará os nossos corações e as nossas mentes.  Poderemos estar cheios de problemas. O que não devemos, é ficar “ansiosos”.  Deus não aceita a ansiedade, porque esta prejudica a fé. Este princípio deve servir de regra em todas as nossas orações.

Portanto, a nossa reação como servos de Deus diante dos problemas da vida é esta: não ficar ansiosos! Em vez disso, devemos orar e confiar no Senhor, pois Ele solucionará os nossos problemas. Enquanto esperamos, a paz de Deus tomará conta dos nossos corações. Esta “paz” deve ser o estado de espírito constante de todos crentes em toda e qualquer situação. 


A segunda questão é a expectativa diante dos abalos da natureza. Tem sido alarmante o noticiário recente sobre as ações e fenômenos que alteram a regularidade do nosso mundo, do nosso planeta: a emissão de gases poluentes, o aquecimento global, o efeito estufa, o estreitamento da camada de ozônio, o deslocamento das placas tectônicas, o crescimento das águas dos oceanos, as ondas gigantes, os terremotos, a alteração dos pólos magnéticos etc., incluindo a destruição das florestas, o deslocamento das geleiras, o vazamento de gás no fundo dos oceanos e, agora, por último, a explosão do Eijafjallajokull na Islândia... Jesus disse em Lucas 21:25: Haverá sinais no sol, na luz e nas estrelas; sobre a terra, angústia entre as nações em perplexidade por causa do bramido do mar e das ondas. Haverá homens que desmaiarão de terror e pela expectativa das coisas que sobrevirão ao mundo;  pois os poderes dos céus serão abalados. E Jesus, então, ensina aos servos de Deus a maneira de encarar estes acontecimentos. Ele diz no versículo 28: Ora, ao começarem estas coisas a suceder, exultai e erguei as vossas cabeças;  porque a vossa redenção se aproxima. Portanto, neste momento em que acontecem terremotos como os do Haiti, Chile e Indonésia; ondas gigantes como as que devastaram a costa do Pacífico e do Oceano Índico; e, mesmo no Brasil, onde o descontrole do clima e o aparecimento de tornados são fenômenos novos... é nosso dever informar às pessoas que estas coisas estão previstas na Bíblia. E nós, os que pertencemos ao Reino de Deus, de forma alguma ficaremos assombrados. Temos que fazer o que disse Jesus: olhar para cima e nos alegrar, porque estes acontecimentos são sinais da próxima volta de Cristo e do consequente o arrebatamento da Igreja. 


A terceira questão é o problema dos escândalos no meio do povo de Deus. Hoje em dia, infelizmente, muitos não obedecem ao velho ditado que diz: “Roupa suja lava-se em casa” E o que se vê, são assuntos internos das igrejas serem tratados na mídia sem a menor hesitação. Muitos pecados vêm ao conhecimento do público e parece que ninguém se envergonha deles. Ressalvadas honrosas exceções, o que se observa é uma tremenda vaidade e choque entre as lideranças cristãs, muita desunião e falta de cooperação. Estão se tornando corriqueiros os pecados sexuais e os desvios de dinheiro além da vergonha que é a participação dos evangélicos na vida política do país. Repito, que sempre há, graças a Deus, honrosas exceções.  Muitos agem como se o Reino de Deus fosse propriedade sua, como se algum dia não tivessem que prestar contas a Deus por seus atos. Todas estas coisas depõem contra a mensagem do Evangelho, que passa a ser menosprezada pelos descrentes.  Em Mateus 24:4,5, Jesus faz um alerta: Vede que ninguém vos engane. Porque virão muitos em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo, e enganarão a muitos. Nos versículos de 9 em diante, Ele prossegue: Então sereis atribulados e vos matarão. Sereis odiados de todas as nações por causa do meu nome. Nesse tempo, muitos hão de se escandalizar, trair e odiar uns aos outros; levantar-se-ão muitos falsos profetas e enganarão a muitos.  E por se multiplicar a iniquidade, o amor se esfriará de quase todos (ou, o amor de muitos esfriará).  Aquele, porém, que perseverar até o fim, esse será salvo.  Portanto, aí está, meus irmãos. Diante dos escândalos no meio do povo de Deus, a nossa atitude deve ser esta: não nos impressionar ou melindrar, porque Jesus disse que seria assim.  O que devemos fazer é ficar firmes e perseverar até o fim, porque, então, haverá uma recompensa.


Finalmente, a quarta questão: a nossa impotência diante dos desafios espirituais. Vejam bem, meus irmãos. De um lado, Deus nos concede a sublime incumbência de pregar o Evangelho. Temos que salvar os pecadores, repreender as enfermidades, expulsar os demônios e consolar os aflitos, em nome de Jesus. De outro lado, temos que nos preservar. Temos que enfrentar as tentações, cuidar bem da nossa vida pessoal, social, familiar, conjugal, financeira e espiritual. Temos que ser, em muitos casos, verdadeiros gigantes espirituais. E, quando olhamos para nós mesmos, sentimo-nos pequenos e impotentes para tão grande tarefa. Então, que fazer? A boa notícia é que Deus tem colocado um recurso à nossa disposição – o Seu poder, o poder do Espírito Santo. Glória a Deus! O apóstolo Paulo disse: “O Reino de Deus consiste não em palavra, mas em poder” (I Coríntios 4:20).  Portanto, os servos de Deus não estão sozinhos nesta batalha. Os servos de Deus não precisam sentir-se “fracos” ou “desanimados”. Todos nós podemos clamar pelo “poder do alto”, e, assim, ser revestidos pelo Espírito Santo.  Foi o que Jesus disse em Atos dos Apóstolos 1:8: Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém, como em toda a Judeia e Samaria, e até aos confins da terra. Portanto, meus irmãos, nenhum de nós precisa sentir-se impotente diante dos desafios espirituais porque basta clamarmos ao Senhor, pedindo o “poder do alto”, e Ele nos revestirá desse poder, que se renova a cada dia.

Pr. Walmir Cohen