Falando Sério


O Perigo da Má Formação dos Filhos


Os pais de hoje estão tão atarefados e sem tempo para seus filhos, tão preocupados com seus próprios problemas, que sobra pouco tempo para assentar-se com eles, direcionar-lhes um olhar de atenção, conversar sobre assuntos pertinentes à sua idade, ouvir o que ele diz ou suas dúvidas.


Esta falta de tempo chega ao absurdo de esquecer o próprio filho dentro do carro, morrendo sem ar para respirar, esquecendo-o na porta da escola, esquecendo-o de sua reunião e apresentações escolares, esquecendo que eles estão crescendo, além de inseri-los cada vez mais cedo nas escolas para maternal e outras atividades. Acabam por deixar para segundo plano as coisas que para eles, nesta fase da vida, são mais importantes que os bens materiais que o pai possa lhe suprir.


A presença dos pais no lar está ficando cada vez mais rara. Não apenas presença física, aquela onde os pais estão ali, mas vendo TV, conectados à internet, celular, lendo jornal, ou muitas vezes trazendo trabalho para casa. Procuram adquirir tecnologia para sua família como TVs a cabo, DVDs, Play Station com seus jogos perturbadores que influenciam a matar, roubar, sequestrar. Computadores com seus diálogos intermináveis e fúteis e até pedofilia e sites comprometedores. Muitas vezes para suprirem a ausência dos pais no lar. Será que vale a pena?


Deixam de lado o culto doméstico, a oração, os conselhos de acordo com a Bíblia, os louvores a Deus (permitindo cada vez mais que outros tipos de músicas entrem em sua casa) e de frequentar a igreja, indo apenas às reuniões de domingo. Os pais não colocam tais práticas como prioridade em suas vidas, pois alegam não ter mais tempo para encaixar estas atividades. Os filhos acordam cedo e já se deparam com uma agenda lotada para o dia todo - como a de seus pais.


O fator tempo tem sido uma das maiores armas do inimigo de nossas almas. À medida que os pais ocupam o seu tempo e o de seus filhos com coisas terrenas, vão se distanciando mais e mais dos caminhos do Senhor.


Como será o futuro dos filhos dos ativistas cristãos? Será que se tornarão adultos que dirão que os momentos de ausência de seus pais foram felizes? Será que carregarão a certeza da salvação, serão futuros pregadores do Evangelho ou sentirão vergonha de serem filhos de cristãos e o deixarão de ser? Eles estão sendo formados à base de carinho, afeto, atenção, amor e respeito ou apenas aprendendo a valorizar roupas de marca, escolas caras, brinquedos de alta tecnologia, celulares, viagens e passeios ao shopping?


Nada contra estas coisas, apenas que elas não sejam usadas como artifício para suprir a ausência dos pais e como a única ocupação das mentes dos filhos.


O ativismo em busca de adquirir uma vida mais confortável que, aliás, nunca se sacia, fazem com que os filhos se tornem cada vez mais seletivos materialmente com seus amigos. Relacionam-se apenas com aqueles que possuem os mesmos ou mais bens que eles ou amigos que possam lhes dar algo em troca. Este está sendo o critério, o padrão para os filhos dos ativistas se relacionarem. Não estão sendo preparados para conviver com todos os tipos de pessoas sem discriminação e para selecionar para seu convívio mais próximo pessoas de caráter. Estão procurando amigos que usem o mesmo tipo de roupas, celular, Facebook, Instagram, entre outras redes sociais, que frequentem lugares badalados, mesmo que estes não sejam próprios para crentes. Enfim, não importando o caráter do amigo, apenas a imagem que ele passa.


Observe o número crescente de homicídio entre filhos de classe média. Valores não adquiridos a ponto de matar os pais por bens materiais ou por motivos banais, influenciados por namorado e amigo sem caráter.


Quando se corre muito, deixa-se de perceber ao seu redor pequenas coisas. Considere o exemplo de um atleta. À medida que está competindo numa corrida não consegue observar quase nada ao seu redor, apenas quer alcançar seu objetivo. Qual está sendo o objetivo dos pais cristãos hoje em dia? Tornar seu filho um doutor, um grande profissional? Assim os cristãos vão contribuindo para a sociedade continuar cada vez mais materialista e egoísta, passando de geração em geração esses valores.


A maneira como os pais vivem e estabelecem suas prioridades determina onde seu filho vai chegar, salvação ou perdição. O que importará para ele não será apenas o seu diploma de doutor ou sua brilhante carreira profissional ou seus bens adquiridos, mas será o período, o processo pelo qual ele passou para chegar até ali.


Inverter prioridades, mudar o ritmo de vida, adequar a rotina às atividades espirituais requer muita oração, sabedoria e intimidade com Deus. Os pais cristãos precisam de uma profunda reflexão buscando repensar o que são valores de Deus e o que são valores do mundo. Precisam reajustar suas agendas dando preferência às coisas de Deus.
Levar os filhos a Jesus é tarefa dos pais, basta pedir a Deus sabedoria para mudar hábitos e costumes familiares.


Vandinéia Maria Castro Dias é membro da Igreja Evangélica CASA DE ORAÇÃO em Timóteo - MG.