Opinião

Houve um tempo

Tudo tem o seu tempo determinado. E há tempo para todo o propósito debaixo do céu” (Eclesiastes 3:1).

 

Houve um tempo em que as palavras valiam. Era possível agir baseado em algo que outra pessoa dissesse. Até o tempo era mais sincero; quando ameaçava chover, chovia.

Houve um tempo que era possível saber qual era a época de calor e época do frio. Sabíamos quando começava a chover e quando cessava a chuva, existia primavera, verão, outono e inverno. Sabíamos onde estavam os rios, os lagos; isto antes de os homens mudarem alguns de lugar e secarem outros.


Houve um tempo em que as pessoas dormiam durante a noite e trabalhavam durante o dia. Todos trabalhavam de alguma forma. 


Houve um tempo que o pai cuidava do sustento da casa e a mãe cuidava do equilíbrio do lar e da formação dos filhos, nesse tempo os filhos sabiam onde estavam seus pais e seus pais sabiam onde estavam seus filhos. Era possível a família compartilhar alegremente as refeições, principalmente aos domingos. Família junta era sinônimo de festa.


Houve um tempo em que os mais velhos eram ouvidos, as suas experiências eram alicerces para os mais novos. Os mais novos trilhavam caminhos mais firmes, eram mais respeitados e em contrapartida respeitavam mais.


Houve um tempo que os jovens podiam programar os seus futuros, tudo dependia do esforço de cada um e, de certa forma, ainda depende, mas foram ejetados outros ingredientes para o sucesso. 


Houve um tempo que o ser humano era mais natural, mais sincero consigo mesmo e mais comprometido em acertar nos seus atos. Era, para ele, importante não errar. Ele se amava mais. Houve um tempo que a sombra das árvores era lugar ideal para o repouso e o borbulhar das águas do riacho embalava o sonolento de pés cansados.


Houve um tempo que era mais fácil sorrir do que chorar. As pessoas ainda se abraçavam e ficavam contentes em verem-se. Uma amizade nova era um presente precioso que merecia ser tratado com carinho. As pessoas de bem eram reconhecidas pelo bom relacionamento com todos. 


Houve um tempo em que a igreja era o melhor lugar. A melhor roupa era usada para ir à igreja. O culto a Deus aos domingos era insubstituível. Houve um tempo que era apaixonante estudar a Bíblia na Escola Bíblica Dominical. Ouvir o coral e participar dele. Houve um tempo que víamos mais alegria em servir ao Senhor, todos gostavam de ficar na Casa do Senhor.


Houve um tempo que ser cristão era sinônimo de compromisso com Deus acima dos compromissos consigo mesmo, que a Palavra de Deus fazia efeito e era mais amada e respeitada do que temida.


Houve um tempo em que o olhar cristão para o mundo tinha como maior objetivo compartilhar o amor de Jesus.


Houve um tempo em que a relação pastor/ovelha era mais parecida com o contato do pastor com ovelhas do campo, onde havia muitas dificuldades, mas a mesma brisa vinda do amor de Deus refrescava igualmente a ambos. Tal contato era personalizado. Cada um sabia quem era o outro.


Haverá um tempo... Haverá um tempo que tudo voltará a ser como antes, se no céu não sei, mas haverá um tempo...



Pr. Edson Luz