Opinião

A Feminização da Igreja

Qualquer cristão que, estando num culto, olhar em volta, perceberá que há sempre muito mais mulheres que homens na reunião, e isto não é uma característica da sua igreja somente, mas sim um fato que assola se não todas, quase todas as igrejas pelo mundo ocidental. A presença de homens e mulheres deveria obedecer à mesma proporção de sua representação na localidade onde está estabelecida a igreja. Já que, na grande maioria dos casos, isto não ocorre, então há que se presumir que há algum outro fator (ou outros) gerando esta distorção. Será que Deus ama mais as mulheres que os homens? Ou será que os homens são mais resistentes à mensagem do Evangelho que as mulheres? Certamente a resposta para as duas perguntas propostas acima é um forte NÃO! Se assim fosse, Jesus não teria escolhido 12 homens para serem Seus discípulos, e os principais responsáveis pela propagação da mensagem do Evangelho aos povos.


Também é importante lembrar que, ao longo da história da Igreja, a presença masculina sempre foi maciça e atuante. O que ocorre hoje nas igrejas da sociedade ocidental é que o feminismo contaminou a igreja e distorceu não só as relações familiares e eclesiásticas, como também a própria forma do culto público. O maior exemplo disso se pode ver nos louvores, em que cada vez mais as músicas que exaltam a grandeza do Senhor, proclamam Sua glória e declaram Seus grandes feitos, são substituídas por outras que apelam muitas vezes para uma temática romântica e sentimentalista, sempre muito mais apelativas para as mulheres que para os homens. Mas não fica só por aí. As pregações se tornaram mais direcionadas aos conflitos emocionais e cotidianos, com uma forte influência da psicologia e de conceitos de auto ajuda tão popularizados hoje em dia, deixando de lado o ensino público das doutrinas cristãs, principalmente as concernentes à santidade e à escatologia.


Também nos homens, em geral, foi incutido um estranho sentimento de culpa em relação às expressões típicas da masculinidade, como se não fossem características que o próprio Deus instituiu em nós, e assim, movidos por estes estranhos sentimentos, muitos pregadores tentam atenuar ou mesmo disfarçar o patriarcalismo bíblico como se fosse fruto de um livro machista e não da Palavra de Deus. Sobre isto, apelo que nos lembremos que, “toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra.” (II Timóteo 3:16). É necessário um retorno à sã doutrina e à prática da Verdade, pois o Evangelho não é uma peça romântica e sentimentalista e sim a Boa Nova da salvação, que deve nos levar a mais que sentimentos e emoções, levar à prática das boas obras, deve transformar nosso modo de viver.


Os homens de verdade estão ansiosos por uma causa pela qual viver e, se necessário, até mesmo morrer, e o Evangelho é esta causa sublime e legítima, a única que de fato faz valer à pena investir tanto! 


Os homens precisam de uma mensagem que os conduza à prática que os desafie a ação consequente, o que é marcante na mensagem de Cristo


Mesmo o amor que a bíblia ensina, longe de ser romântico, é prático. É o que nos ensina I João 3:18. Apenas para exemplificar, se você der flores a uma mulher, ela vai ficar extasiada com o perfume, a beleza e o seu gesto carinhoso, mas se fizer o mesmo a um homem, ele agradecerá, mas no seu íntimo pensará: por que me deram algo que não tem uso prático e que daqui a três dias estará estragado? 


Está faltando homens na igreja? Então certamente está faltando também sentido, propósito e missão.

 

Autor: Pr. Marco Antonio Araujo