Saúde
Se você sente cansaço inexplicável, dores todos os dias e memória fraca, leia isso

Sono sem fim, cansaço até nas atividades mais leves, dores por todo o corpo podem ser sinais de uma síndrome que mudará sua vida


Você é uma mulher que já passou dos 40, idade em que, na maioria das vezes, os filhos já estão adultos e buscando sua independência, ou você já alcançou o patamar almejado na carreira profissional. Seria o momento perfeito para aproveitar sua boa condição, viajar, talvez voltar ao mercado de trabalho, estudar ou empreender em um negócio próprio. Você pode ter, a essa altura, tempo e dinheiro. Ou pode ser que ainda precise trabalhar para ajudar no sustento do lar. No entanto, o que você sente é um cansaço sem fim, já acorda cansada como se não tivesse dormido a noite toda. Dores no corpo dificultam, e até a impedem, de cuidar de sua rotina diária.

Ao conversar com alguém, contar sobre aquele filme superlegal que você viu, percebe que tenta se lembrar do nome do ator principal, mas só fica puxando pela memória e dizendo: “aquele bonitão, casado com a… aquela atriz, que fez aquele filme…” e os nomes simplesmente desaparecem. A memória do que aconteceu recentemente falha, no entanto, você conta em ricos detalhes o que aconteceu há 20 anos. Custa a você se concentrar em um livro, ou mesmo em uma conversa.

Procure o médico. Você pode estar sofrendo da Síndrome da Fadiga Crônica.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Reumatologia, a SFC (neuromielite miálgica) é uma condição cujo sintoma principal é o cansaço intenso que não melhora com o repouso e piora com a atividade física ou mental. A causa pode ser desconhecida, ou estar ligada a algum fator desencadeante, como infecções, quadros virais, anemia ferropriva, hipoglicemia, disfunções glandulares, doenças autoimunes e depressão.

Quem pode desenvolver SFC

Na maioria, mulheres entre os 40 e 50 anos com rotinas estressantes. Também se detecta a SFC em pessoas que tiveram viroses, como hepatite, gripe H1N1, mononucleose, toxoplasmose, citomegalovírus. Atualmente, está em investigação o surgimento dessa síndrome em pacientes que desenvolveram um quadro infeccioso grave provocado pelo novo coronavírus. Estudos indicam que cerca de 8% destes pacientes – principalmente os que foram hospitalizados e tiveram comprometimento no coração – desenvolveram a síndrome. Está em investigação porque, segundo a reumatologista Selma Merenlender, a maioria dos pacientes ainda não alcançou o período de seis meses de cura clínica/laboratorial para serem classificados como portadores de SFC.

Diagnóstico

O diagnóstico da SFC é clínico, depende de avaliação médica a partir do relato do paciente, porque não há exames específicos para detectar a doença, que muitas vezes é confundida com a fibromialgia. Porém, a diferença entre SFC e fibromialgia é que na síndrome surgem gânglios inchados e doloridos no pescoço, axilas e virilha, enquanto a fibromialgia não apresenta tais sinais. Além disso, SFC tem evolução imprevisível, podendo desaparecer em alguns meses ou permanecer por anos. Já a fibromialgia não desaparece em meses, mas permanece por anos ou por toda a vida.

Critério Diagnóstico

O diagnóstico é também por exclusão. A investigação médica será pela busca de outros fatores para o surgimento do cansaço, dores e gânglios inchados. Deve-se descartar primeiramente as doenças cardiovasculares ou autoimunes, doenças pulmonares, distúrbios do sono ou tumores. Quando o paciente não se encaixa nestes diagnósticos e o cansaço persiste, aventa-se a hipótese da SFC.

Para a confirmação da SFC, o critério é o surgimento e a persistência de pelo menos quatro dos sintomas abaixo por pelo menos 6 meses: fadiga persistente sem explicação, dor de garganta, gânglios inchados e doloridos, dores musculares e nas articulações sem sinal de inflamação (inchaço, vermelhidão), cefaleia diferente das sentidas anteriormente, comprometimento significativo da memória recente e da concentração, cansaço que permanece até 24 horas após atividade física.

Tratamento

Não existe um tratamento específico, justamente por ser de causa desconhecida ou incerta. Geralmente o tratamento é feito com medicação anti-inflamatória e analgésicos como dipirona ou paracetamol. Como o quadro clínico é estressante e compromete o bem-estar emocional, em alguns casos o tratamento inclui antidepressivos.

O tratamento também inclui uma mudança de vida radical e positiva através de paliativos que melhorem a condição física do paciente. Adeus sedentarismo. Os exercícios físicos – geralmente de baixo impacto devido às dores – tais como hidroginástica, pilates e caminhada iniciando devagar, devem fazer parte da rotina.

Também é recomenda a Terapia cognitivo-comportamental e grupos de apoio, para melhorar a atitude e combater o negativismo. Tratamento dos problemas de sono e terapias alternativas como acupuntura, meditação, técnicas de relaxamento, alongamentos, ioga e tai chi.

Além dessas recomendações, é muito proveitoso se o paciente evitar situações estressantes, organizar sua rotina, passar a ter horários para ir dormir e para acordar, evitar sonecas durante o dia e cortar cafeína, álcool e nicotina de sua vida.

O importante é o paciente ter uma melhora na qualidade de vida, desenvolver uma atitude mais positiva e não perder a esperança mesmo diante de situações tão difíceis como a que vivemos atualmente. Mantenha sua fé e bom ânimo.

Fonte: familia.com.br